quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Emoções

Hoje não foi a ansiedade de Paris nem o nervoso "graúdinho" de ver o tempo a passar e a bola a não entrar; não foi o "terror" de olhar para o relógio e não entender como ele demorava uma "eternidade" para chegar aos 120 minutos; não foi o pulo nem o grito, o grito ou o pulo, não no singular mas num plural sem conta, majestático porque comemorava um feito de majestades.
Hoje foi a emoção: o meu País, pelas mãos de um Presidente da República eleito por sufrágio universal, entregou medalhas aos que fizeram de Portugal Campeão Europeu de Futebol, numa jornada memorável em terras de França, que a todos nos encheu de satisfação, alegria e orgulho.
Entre os medalhados estavam o Fernando Santos, a quem me une uma amizade que dispensa quaisquer adjectivos e tem mais de 50 anos, e o meu filho, que amanhã completa 35 anos.
Ouvir o Chefe do Protocolo do Estado chamar Ricardo Miguel Cândido de Sousa Santos encheu-me (encheu-nos) tanto de orgulho que as lágrimas saltaram do saco e derramaram num "rio" selvagem e sem controlo.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

Foram vários (seria "pecado" dizer muitos) os livros com que me deliciei nestas férias. Do "Amor  em Lobito Bay", de Lídia Jorge ao "Macaco infinito" de Manuel Jorge Marmelo, passando por "Vamos comprar um poeta", de Afonso Cruz, por Mário Vargas Llosa (Cinco esquinas), Maria Teresa Horta (Anunciações), Pepetela (Se o passado não tivesse asas), pelos "Navios da noite" de João de Melo e pelas inquietudes das mulheres do "velho" Camilo, foram uns milhares de páginas que me distraíram, inquietaram e me deram prazer.
Quase no fim, senti-me de novo na adolescência com os "Contos de cães e maus lobos", de Valter Hugo Mãe, dos quais ficam aqui pequenos exemplos da beleza das palavras, quando são bem tratadas.
As mais belas coisas do mundo
"(...) Convenci-me que as coisas mais belas do mundo se punham como os mais profundos e urgentes mistérios. Eram grandemente invisíveis e funcionavam por sinais dúbios que nos enganavam, devido à vergonha ou à matreirice. O que sentem as pessoas é quase sempre mascarado. Deve ser como colocarem um pano sobre a beleza, para que não se suje ou não se roube, para que não se gaste ou não se canse.(...)"
Bibliotecas
"(...) Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame o direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem se esgotarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se com isso. Os livros divertem-se muito.(...)"
Valter Hugo Mãe
Contos de cães e maus lobos
Porto Editora (Nov.2015) 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Palavras bonitas

Para o meu pai, que partiu há um ano.

CERTEZA

Sereno, o parque espera.
Mostra os braços cortados,
E sonha a primavera
Com os seus olhos gelados.

É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de abrir
Em ninhos e semente.

Basta que um novo sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.

Miguel Torga
Diário II

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Férias

Acabaram as férias e regressaram as rotinas, por definição repetitivas, entediantes e massacrantes.
Os chinelos e os calções deram lugar às meias, aos sapatos e à vestimenta costumeira.
O "boneco" fica composto com a carteira dos documentos, umas notas no bolso das calças, a esferográfica, a lapiseira, o maço de lenços, o portátil e o pente, acessórios que estiveram inactivos nas últimas três semanas.
O identificador da Via Verde estranhou a ausência de movimento e surgiu amarelado. Foi reformado sem apelo nem agravo no caixote do lixo da empresa e substituído por um novo, pequeno mas elegantíssimo, como convém.
Quanto ao resto, tudo na mesma! 
Faltam só 157 dias (in)úteis.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Netos

Na ordem da idade, é o segundo; na cronologia dos aniversários, o Vasco é o último e faz hoje 5 anos.
Ontem, ao final da tarde, passou por aqui numa visita rápida. Ao pegar-lhe para mais um abracinho, disse-lhe ao ouvido:

- Amanhã ficas maior ...
- Não, avô, só um "cadinho"!

E lá foi, com o pai e o irmão, a correr, como tanto gosta.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Livros (lidos ou em vias disso)

A França foi ontem, de novo, vítima da barbárie e da intolerância de alguns, que redunda sempre em prejuízo de todos.


Estou quase no fim  de um livro escrito por um autor que desconhecia e de quem nunca tinha ouvido falar. Angolano, chama-se Adolfo Maria e, no livro, pretende relatar (nem analiso se com alguma parcialidade) a realidade da vida da maioria da população angolana.
A personagem que "fala" no pequeno extracto abaixo é João Sousa, conhecido no Bairro do Cazenga como kota Medito.

" (...) medito em tudo o que aqui foi dito, medito na difícil situação que estamos a viver, medito nisto que todos do bairro estamos a fazer e que é muito importante, estamos a mostrar a nossa dignidade. Por isso, não posso aceitar propostas de violência sobre os nossos, todos estamos a sofrer e umas pessoas aguentam mais que outras. No mundo não somos iguais a reagir, só somos iguais na nossa condição de humanos, que pensam e querem ser minimamente felizes. Portanto, proponho que se fale a verdade àqueles que estão a ficar receosos; dizemos-lhes, sim senhor, que a situação é difícil, mas se conseguirmos resistir - e tem de ser todos porque isso é que dá força - se conseguirmos resistir, vamos poder ganhar a nossa causa e, depois, ter melhores tempos para todos."

Adolfo Maria
Naquele dia naquele Cazenga
Edições Colibri - Março 2016




O Sequeira no lugar certo


O quadro "A Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira, foi ontem colocado no renovado Piso 3 do Museu Nacional de Arte Antiga, após ter sido adquirido na sequência de uma campanha pública iniciada em Outubro de 2015 na qual foi feito o apelo para que a participação das pessoas impedisse que a obra fosse vendida a particulares ou saísse do País.
Contribuí com alguns "pontinhos" e conto, agora que iniciei as férias, dar um salto à capital para o admirar no local que lhe pertence: acessível a todos.
Feliz ideia que tal permitiu.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Euro 2016

Portugal, 1 - França, 0

Campeões, campeões, (nós) eles (somos) são campeões!!!

A emoção ainda tira a capacidade de discernir se devo pronunciar-me sobre o que ontem aconteceu ou se, pelo contrário, é preferível não exteriorizar para que não pareça querer ser "juiz em causa própria".
Portugal é Campeão Europeu de Futebol, pela primeira vez na sua história e, a essa história, ficarão ligadas duas pessoas que me dizem muito: a primeira, o grande timoneiro da nau que chegou a bom porto - Fernando Santos - a quem me liga uma amizade de mais de 50 anos; a segunda - Ricardo Sousa Santos - que é "apenas" meu filho.
Um orgulho imenso, que as lágrimas que vão surgindo a cada passo nos meus olhos, confirmam e acentuam.
Já lá vão quase dois anos e, ainda que eu não saiba da "missa metade", muito trabalho deu àquela gente toda o sucesso que ontem o País, cá dentro e lá fora, festejou efusivamente.
De parabéns estão os 23 jogadores que foram a França, os técnicos, o apoio e aqueles que, por uma razão ou por outra, não estiveram presentes neste Campeonato que foi o primeiro mas não será o último.
Ontem confirmou-se, se ainda era necessário, que a sorte dá MUITO TRABALHO!
Parabéns a todos os que planearam, executaram, compareceram, apoiaram e vibraram com esta esplendorosa VITÓRIA.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

Euro 2016

Portugal, 2 - País de Gales, 0

E agora, PARIS!!!
Se por cá a alegria extravasa e atinge o país inteiro, o que sentirão os milhares de emigrantes ao verem o principal emblema de Paris com as cores do seu (nosso) País!